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Arquivo Amílcar Cabral
O Arquivo Amílcar Cabral, essencialmente organizado em Dakar e em Conakry, é constituído por documentação de cariz político, militar e diplomático produzida pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e pelo seu fundador, Amílcar Cabral. Engloba também os movimentos anti-coloniais africanos (MAC, FRAIN, UGEAN e CONCP) e, de modo menos significativo, os movimentos de libertação de outras ex-colónias portuguesas (MPLA e FRELIMO).
O Arquivo Amílcar Cabral reúne documentação relacionada com a organização do partido, a organização da luta armada, a luta diplomática no exterior e a construção do Estado nas regiões libertadas, correspondência entre os responsáveis políticos e militares no interior e no exterior e, em menor número, dirigida pela população ao secretariado geral.
Destacam-se os manuscritos de Amílcar Cabral, onde é possível encontrar o rascunho de documentos emblemáticos como Unidade e Luta ou O papel da cultura na luta de libertação.
Este acervo conta também com um conjunto de fotografias que retratam os vários aspectos da luta pela independência na Guiné, bem como o percurso de Amílcar Cabral, desde os estudos em Cabo Verde até 1972.
O Arquivo Amílcar Cabral integra documentos de outras origens, directamente relacionados com os temas nele tratados, designadamente de Iva Cabral, Aristides Pereira, Luís Cabral, Vasco Cabral, Manuel dos Santos, Joseph Turpin e Bruna Polimeni.
O âmbito cronológico do arquivo situa-se entre 1956 e 1974, com a excepção de documentos sobre os estudos e trabalhos agrários de Amílcar Cabral (1939-1956), estudos sobre a sua obra (reunidos nos documentos complementares), e textos sobre o seu assassinato, incorporados por Iva Cabral.
Importa destacar o empenho na salvaguarda da documentação de Amílcar Cabral de sua filha Iva Cabral e ainda de Aristides Pereira e Pedro Pires.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Amílcar Cabral nasce em Bafatá, na Guiné-Bissau, a 12 de Setembro de 1924. A família regressa a Cabo Verde em 1932. Ainda jovem testemunha a grande seca que assolou as ilhas sob administração colonial em 1941, e decide tornar-se engenheiro agrónomo.
Em 1945, depois de ter frequentado o Liceu de São Vicente, onde escreve os primeiros cadernos de poesia, parte para Lisboa com uma bolsa de estudo para o Instituto Superior de Agronomia. Em Lisboa, participa com outros estudantes das colónias portuguesas em actividades orientadas para a descoberta da cultura africana, nomeadamente na Casa dos Estudantes do Império.
É um dos fundadores, com Mário Pinto de Andrade e Francisco José Tenreiro, do Centro de Estudos Africanos, que reúne a partir de 1951 na casa de família de Alda do Espírito Santo. Nestes encontros nasce o movimento literário da “Negritude”, e dá-se a afirmação da identidade africana - fase que Cabral viria a descrever como a “reafricanização dos espíritos” – indispensável à formação dos futuros dirigentes dos movimentos pela independência.
Em 1952 o engenheiro agrónomo chega ao seu país de origem e, como técnico ao serviço da administração colonial, realiza o Recenseamento Agrícola da Guiné, que lhe dá um conhecimento profundo da população e da sociedade guineense, essencial para a estratégia de guerrilha que viria a adoptar durante a luta de libertação.
A 19 de Setembro de 1956 cria clandestinamente o Partido Africano da Independência, em Bissau, e assume desde então o cargo de Secretário-Geral. Inicia a fase de mobilização política sob o pseudónimo de Abel Djassi. Continua a colaborar estreitamente com Mário Pinto de Andrade na construção e afirmação dos valores nacionalistas, no MAC, na FRAIN e na CONCP. Desenvolve rigorosamente o processo de crítica e julgamento do colonialismo português denunciando os seus crimes no plano internacional. Em 1963, frustradas todas as tentativas de diálogo com o poder colonial português, determina a passagem da acção diplomática à luta armada.
Em 1968, Amílcar Cabral descreve a Guiné como um Estado independente com uma parcela do território nacional, circunscrita aos centros urbanos, ocupada por forças estrangeiras – e consagra os últimos anos da sua vida a lutar por esse estatuto jurídico.
No plano teórico desenvolve a ideia de resistência cultural como uma arma contra o colonialismo. A luta armada de libertação nacional significava para Cabral, simultaneamente, um facto e factor de cultura, e o verdadeiro regresso do povo à sua história, sem o qual não poderia alcançar a emancipação e independência. O sonho da unidade entre a Guiné e Cabo Verde, que o acompanhou ao longo da vida, não se chegou a concretizar após a libertação.
Faleceu em Conakry, assassinado, em 20 de Janeiro de 1973.

Dimensão
Este fundo é composto por 69 unidades de instalação (documentos e fotografias)

Estado de Tratamento
Integralmente tratado.