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Francisco Lyon de Castro
O acervo de Francisco Lyon de Castro (1914-2004) entregue, em 2001, ao Arquivo & Biblioteca da Fundação Mário Soares, é constituído por um grande leque de documentos de particular relevância, ilustrativo de vários aspectos que caracterizaram a oposição ao regime do Estado Novo, e cronologicamente abrangendo todo o período de 1926-1974.
Aqui se encontram numerosos autos de busca e apreensão realizados pela PIDE/DGS e a PSP junto de editores e livreiros e, também, nos CTT, que exibem de modo muito claro a verdadeira natureza da política do espírito levada a cabo pelo regime de Oliveira Salazar e Marcelo Caetano. A significativa correspondência trocada entre Francisco Lyon de Castro e diversas entidades, a propósito das apreensões de livros de que era vítima a sua editora, as Publicações Europa-América, ajuda também a compreender a realidade da censura e da apreensão de livros.
Destaca-se igualmente um significativo conjunto de documentos ilustrativos das diversas facetas de que se revestiu a oposição ao Estado Novo, desde as organizações clandestinas até às formas associativas que funcionaram de modo legal ou semi-legal.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
Francisco Lyon de Castro nasceu em Lisboa a 24 de Outubro de 1914 e faleceu a 11 de Abril de 2004.
Aos 14 anos, entrou para a Imprensa Nacional como aprendiz de Artes Gráficas, onde conviveu com operários anarquistas, sindicalistas e comunistas.
Em 1932 funda o jornal Mocidade Livre, que constituía uma frente democrática de jovens operários e estudantes, e que veio a dar origem à criação da União Cultural Mocidade Livre. No ano seguinte adere ao Partido Comunista Português e, ainda em fins de 1933, participa na preparação do movimento contra a criação dos Sindicatos Nacionais (corporativos), que se desencadeou em 18 de Janeiro de 1934.
A repressão que se seguiu justificou a fuga de Lyon de Castro para Espanha. Em Madrid, estabelece contactos com organismos democráticos portugueses de emigrados e com o Partido Comunista Espanhol, onde passou a militar. Frequenta com assiduidade o famoso Ateneo de Madrid, onde conhece, e ouve em conferências, muitos intelectuais e políticos republicanos e socialistas.
Em 1935 passa clandestinamente para França, a pé, pela montanha, durante 80 km, em pleno Inverno, uma “aventura” que veio a ser romanceada por Fernando Namora em "Os Clandestinos". Em Paris desenvolve actividade em organismos democráticos e de solidariedade, particularmente entre operários portugueses residentes nos arredores de Paris, organizando sessões de esclarecimento com vistas à preparação política e sindical dos trabalhadores portugueses.
Ainda em 1935 regressa a Portugal, sendo preso pouco depois, passando pelas cadeias do Aljube, Peniche e Caxias. Foi julgado no Tribunal Militar Especial e condenado a quatro anos de desterro. Deportado para os Açores e cumpre a pena na Fortaleza de S. João Baptista em Angra do Heroísmo.
Em 1939, estando ainda preso em Angra do Heroísmo, toma conhecimento do Pacto Germano-Soviético e revoltado com a ligação da URSS a Hitler, decide abandonar o PCP.
Foi posto em liberdade em 1940. Sendo-lhe recusado o regresso ao trabalho na Imprensa Nacional, ficou a trabalhar, durante cinco anos, numa pequena empresa familiar de negócios de madeiras.
Em Maio de 1945, organiza com seu irmão, Adelino Lyon de Castro, a Editora Publicações Europa-América, que se propõe, além da actividade editorial, realizar a importação de livros e publicações periódicas estrangeiras, mas a maior parte delas era apreendida nos serviços dos Correios.
Ao longo dos anos seguintes, desenvolveu intensamente a editora. Voltou a ser preso, tendo estado de novo no Aljube por mais duas vezes, acusado de importar publicações de natureza política subversiva e contrárias ao regime vigente.
Depois do 25 de Abril, foi membro da Administração da Empresa Pública Notícias-Capital e presidente da Comissão de Reestruturação da Imprensa Estatizada. Foi também o primeiro presidente eleito da Associação Portuguesa de Editores assim como da Associação Portuguesa das Indústrias Gráficas. Durante vários anos, fez parte da Comissão Internacional da União Internacional de Editores.
Na década de 1980, a família Lyon de Castro adquiriu a Editorial Inquérito e as Realizações Artis, ficando estas editoras sob a sua orientação pessoal. Em 1995 funda com o filho e netos uma nova editora, Lyon Edições com o objectivo de publicar obras de ensaio e romance histórico.

Dimensão
Este fundo é composto por 5 pastas de arquivo, o que perfaz, aproximadamente 0.45 metros lineares.

Estado de Tratamento
Parcialmente tratado.