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Malangatana Valente Ngwenya
O pintor moçambicano Malangatana Valente Ngwenya (1936-2011) depositou na Fundação Mário Soares numerosa documentação fotográfica, que foi tratada com vista à sua disponibilização pública. Do mesmo modo, foi igualmente tratada alguma documentação referente às suas actividades políticas e cívicas.
A pedido do Pintor, realizou ainda a Fundação Mário Soares, em Moçambique, a reprodução fotográfica de obras de arte da sua colecção privada, a que acresceu, em momentos posteriores, a reprodução de outras obras que lhe interessava registar, designadamente os seus desenhos de prisão. A descrição das reproduções aqui disponibilizadas contou com a participação do Pintor e de Filomena André.

Instituição
Fundação Mário Soares
Malangatana Valente Ngwenya

Nota biográfica/Institucional
Malangatana Valente Ngwenya nasceu em Matalana, distrito de Marracuene, província de Maputo, Moçambique, em 6 de Junho de 1936, filho de Manguiza Ngwenya e de Hloayze Xerinda. Casou com Gelita Mhangwana em 1956.
Frequentou a Escola da Missão Suíça na Matalana, onde aprendeu a ler e escrever em ronga. Encerrada a escola protestante por efeito do Acordo Missionário de 1940, transita para a Escola da Missão Católica em Bulázi, onde conclui a terceira classe rudimentar, em 1948. Seguiu depois para Lourenço Marques, onde trabalhou como criado de crianças e depois como “apanha-bolas” e criado de mesa no Clube de Ténis da cidade.
A partir de 1959, Malangatana envereda por uma carreira de pintor profissional, com o apoio de Augusto Cabral e do arquitecto português Miranda Guedes (Pancho), que lhe cedeu a garagem para atelier e lhe adquiria dois quadros por mês, para que se pudesse manter.
A 10 de Abril de 1961, Malangatana organiza a sua 1.ª Exposição Individual em Lourenço Marques, no Banco Nacional Ultramarino.
Após o início da luta armada em Moçambique, Malangatana junta-se à rede clandestina da FRELIMO, Em 22 de Dezembro de 1964, foge para a Suazilândia, regressando a Lourenço Marques a 1 de Janeiro seguinte, tendo a PIDE procedido à sua captura três dias depois. Julgado em Tribunal Militar, é absolvido a 23 de Março de 1966, sendo de novo preso a 17 de Junho desse ano e posteriormente restituído à liberdade a 11 de Novembro.
Frequentador assíduo do “Núcleo de Arte”, aí expõe diversas obras, de cariz eminentemente social. Data, aliás, de 1968 um dos seus quadros politicamente mais empenhados e que esteve exposto no “Núcleo de Arte”, a que pôs o título de “25 de Setembro”, data de início da luta armada em Moçambique – o que levou a PIDE/DGS a interrogá-lo em 1971 sobre o significado dessa obra.
Em 1971, recebe uma bolsa “para a metrópole” da Fundação Calouste Gulbenkian, tendo sido mandado reter no aeroporto por despacho do Ministro do Ultramar, posteriormente revogado.
Em Lisboa, Malangatana irá trabalhar na Gravura – Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses e na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego.
Regressado a Moçambique, organiza, em 1972, uma exposição individual na COOP – Lourenço Marques, inaugurada pelo Governador-Geral Manuel Pimentel dos Santos.
No mesmo ano, torna-se conhecido e apreciado em Lisboa, designadamente através das exposições organizadas por Rui Mário Gonçalves na Livraria Bucholz e na Sociedade Nacional de Belas Artes.
A convite de amigos, desloca-se no ano seguinte à Suíça, o que lhe permite contactos com galerias e artistas, abrindo-lhe novos horizontes.
Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política, participando em acções de mobilização e alfabetização e, a partir de 1978, na organização das aldeias comunais na Província de Nampula.
Desenvolve intensa actividade no âmbito do Grupo Dinamizador do Bairro do Aeroporto, onde reside, e participa em múltiplas actividades cívicas e sociais.
Eleito deputado em 1990 nas listas da FRELIMO, será escolhido em 1998 para a Assembleia Municipal de Maputo e reeleito em 2003.
A partir da década de 1980, desenvolve novas técnicas e assume novos modos de expressão artística. Intervém também na organização da Escolinha dominical “Vamos Brincar”, promovida pela UNICEF e participa na Suécia, em 1987, em actividades similares com crianças suecas e refugiados de diversos países.
Terminada a guerra civil, em 1992, retoma um projecto cultural que impulsionara na sua aldeia de Matalana, surgindo assim a Associação do Centro Cultural de Matalana,
A sua obra é reconhecida em todo o mundo, participando em múltiplas exposições colectivas e individuais.
Homem multifacetado, pintor, ceramista, cantor, actor, dançarino, foi presença assídua em numerosos festivais, afirmando sempre a sua origem africana e moçambicana.
Faleceu a 5 de Janeiro de 2011 no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, Portugal.