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João Lopes Soares
O fundo relativo a João Lopes Soares (1878-1970), pai de Mário Soares, inclui documentação relativa ao seu percurso pessoal e profissional.
Vários documentos pertencem a diversas instituições que os cederam ao Arquivo Mário Soares para digitalização, nomeadamente o Arquivo da Diocese de Leiria, o Arquivo Distrital de Leiria e o Arquivo Histórico Militar.
Neles se encontram, por exemplo, uma cópia do requerimento dirigido por João Soares ao papa, requerendo a nulidade da sua ordenação, e numerosa documentação sobre o percurso deste como capelão militar e a sua actividade no Instituto dos Pupilos do Exército.
Disponibilizam-se também algumas fotografias de João Soares, duas delas existentes no Arquivo Histórico Militar.

Instituição
Fundação Mário Soares

Nota biográfica/Institucional
João Lopes Soares
Professor, pedagogo e político da Iª República, foi pai de Mário Soares.
Nasceu no lugar das Cabeças, concelho de Leiria, em 17 de Novembro de 1878.
Frequentou o Liceu de Leiria, seguindo depois para o Seminário de Coimbra, formando-se em Teologia em Dezembro de 1900, iniciando a sua carreira eclesiástica.
Admitido no Corpo de Capelães Militares, em Outubro de 1903, é colocado no Regimento de Artilha de Alcobaça, passando, em 1906, para o Regimento de Infantaria n.º 16, em Lisboa.
Na sequência de acusações de propaganda republicana é transferido, em Agosto de 1908, para o Regimento de Cavalaria n.º 10, em Vila Viçosa, passando depois por outros regimentos em Abrantes e Covilhã.
A morte do pai impede-o de participar no movimento revolucionário de implantação da República, mas, ainda em Outubro de 1910, regressa a Lisboa, é promovido a tenente capelão e regressa ao Regimento de Infantaria n.º 16.
Em 1911 é iniciado na Maçonaria com o nome simbólico de Rousseau e, neste mesmo ano, nomeado professor do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército.
Dada a sua formação religiosa, em 1912 irá ocupar o cargo de administrador do concelho da Guarda e, mais tarde, o de Governador Civil do distrito, ao tempo ameaçado pelas incursões monárquicas e pelo posicionamento do respectivo bispo, opositor do regime republicano. No ano seguinte transita para o Governo Civil de Braga, e, em 1915, irá ocupar o mesmo cargo em Santarém.
Foi também vogal do Conselho Superior da Administração Financeira do Estado, entre 1914 e 1926, e eleito deputado em 1915, 1919, 1922 e 1925.
Em 1917 foi Secretário do Conselho de Ministros do governo da União Sagrada, e chefe de gabinete em vários ministérios.
Na sequência do golpe de Sidónio Pais é exonerado de professor do Instituto dos Pupilos do Exército, abatido ao quadro efectivo do Exército. Acusado de deserção, exila-se em Espanha, para evitar a prisão. Com o fim do sidonismo, volta a ser reintegrado e irá ocupar o cargo de Ministro das Colónias, no governo chefiado por Domingos Pereira, entre Março e Junho de 1919.
Em Maio de 1923, requer ao Papa a nulidade da sua ordenação de presbítero, embora só em 1927 a Santa Sé o desobrigue das ordens.
Durante todo o período da I República, João Lopes Soares irá também desenvolver a sua actividade de educador. Em 1917 o livro “Portugal Nossa Terra – Educação Cívica”, elaborado em conjunto com Elísio Campos é aprovado pelo Governo como manual destinado às escolas primárias e normais. Em 1922 publica uma série de manuais escolares destinados ao ensino liceal e, em 1925, o “Novo Atlas Escolar Português”, obra que terá sucessivas edições, e seria também publicada no Brasil, com prefácio de João de Barros.
Após o golpe de estado que instaura a Ditadura Militar, será submetido ao ostracismo e perseguido devido às ligações com movimentos da oposição. Em 1930 é deportado para os Açores, de onde se irá evadir, resultando na sua demissão do exército. Entre 1931 e mantém contactos com elementos revolucionários, acabando preso pela polícia política em Fevereiro de 1933. Libertado condicionalmente em Maio, volta a ser recapturado em Agosto e enviado para o Forte de S. Julião da Barra, de onde será transferido, em Novembro, para Angra do Heroísmo. Em Maio de 1934 passa para a cadeia do Aljube, com a finalidade de ser julgado no Tribunal Militar Especial de Lisboa.
Demitido de todos os lugares públicos, e em dificuldades financeiras, irá procurar no ensino particular a sua subsistência. Em 1936 funda o Colégio Moderno que irá dirigir e desenvolver ao longo dos anos seguintes.
Não deixa, no entanto, de se manter activo politicamente. Irá prestar o seu apoio ao MUD, sendo preso em 1947 e julgado no ano seguinte em Tribunal Militar Territorial. Apesar da sua libertação, a PIDE irá manter sobre João Soares uma intensa vigilância nos anos seguintes.
Morre em Lisboa em 31 de Julho de 1970, aos 91 anos de idade.